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O Fôlego dos Meninos e Outras Febres


Perdão

Parei de repente

e de repente

rasgou meu ventre a culpa

de repente eu era a devedora

a vilã

o inconfesso nas conversas.

 

Percepção antagônica de mim mesma

e eu era a outra

roubando a tepidez da tarde

de novo o pior de mim

outro momento inconveniente

a mesma escura fresta.

 

Pensei

errar é humano a beça

racionalmente falando

de dentro pra fora

aquilo que verdadeiramente somos

o tal lado B.

 

Perdão.

 

Perdão.

e outras conjecturas.

Razão ou sensação?

Dor ou

Aventura.

O ócio e o cio.

O ácido.

 

Perdão?

 

Perdão nada.

Ou você me ama como eu sou

ou pode ir pra puta que pariu.



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 16h35
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Poema de Outuno

Folhas caem
em chamas
sopram fagulhas
os ventos
encolho o ventre
e piso descalça
o chão seco do quintal.

Aves preguiçam
nos galhos
abro os olhos
e miro reto
a cega paisagem do quintal.

Durmo nua sob o edredom.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h23
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Violação

Então é assim que você faz: fuça tudo, examina os recônditos, levanta as barras, espia as frestas, abre os armários, abre as gavetas, esmiuça os conteúdos.

Então você descortina os espaços, escancara as janelas, muda os móveis de lugar.

Espiona as digitais, analisa o efeito caótico do meu cotidiano.

Mata sua curiosidade e aflora a minha.

E tem a audácia de não me dizer o que vê?


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h12
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Íbero

Já é outono em meu porto
e Lisboa pega fogo bem cedo
sinto falta do seu beijo
e da sua mão nos meus seios
do gosto amargo
dos seus fumados cigarros
da minha braguilha perto
da sua braguilha atrevida
e tanta falta eu sinto
da carne dura da sua barriga
e das promessas de delícias
da sua ardida virilha
na primavera do meu desejo
você é o barco
vem e atraque.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h10
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Referências

Se eu trabalho bem,
sou explorada.
Se eu fico feliz profissionalmente,
sou insensível.
Se interfiro,
sou infértil.
Se não me importo,
sou infértil.
Se ignoro,
sou infértil.
Se eu proponho arrumações,
sou neurótica.
Se eu proponho decorações,
sou desorganizada.
Se me canso,
sou preguiçosa.
Se quero atividades,
sou inconveniente.
Se quero ler,
sou anti-social.
Se quero ver tv,
sou introspectiva.
Se não quero sexo,
frígida.
Se quero,
indecente.
Estou sempre muito errada.
Então eu quero tudo.
Eu quero muito e quero agora.
Senão, não preciso de nada.
Obrigada.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h09
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Mais Uma Dose de Alves

Eu tenho um lado insano
que deu para ser descuidado
e aparecer sem ser convidado
deixando-me a mercê das minhas vontades.

Verdade que prefiro ousadia
e outras coisas ardidas,
mas esses calores todos
essa febre tardia
palavra que eu não adivinhava.

São instantes que não se previne
desejos que não se guardam
foda-se o calendário
e no entanto,
cuidado.

Eu nunca fui boa na vida
em medir consequências.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h09
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Haicai Ai de Mim

Se você for português
eu, fado.

Se você for argentino
eu, tango.

Se você disser que sim,
eu traio.

Se você disser que não,
eu danço.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h08
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Riscos

A arte de seduzir que ele exibe
rompe a pele naturalmente
talhada de cores e músculos.
Esse
homem é um menino e já provoca tempestades.
Ele me olha e
raios rasgam o espaço.
Ele me toca e
aves singram os céus
levando
velozmente palavras de
esperança e
sexo.

Falta em mim senso e crítica.
Ririam de mim, se soubessem,
aquele meu sonho secreto de
gozar nos teus braços
amar, talvez, sei lá.

Nem tudo é poesia e assim mesmo
é tudo tão confuso.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h06
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Verdes

Traga-me rosas e espinhos
cerque-me de cravos
eu quero flores e vasos de pimenta
eu quero carinhos.

Traga-me seu riso e dentes
e tags e poemas
force-me ao sentimento
de que o que vale é o presente.

Traga-me flores e laços
que eu ardo
escreva-me recados
em seu braço.

Deixe-me seu cheiro
etéreo e verde
mas não me deixe.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h05
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Águas de Março

O homem de peixes provoca
manda as pesadas.

O homem de jaya confessa
laços são sexies.

O homem do vale informa
o poema está no site.

O homem da câmera alega
capturei esse momento.

O homem com a mala apresenta
eu trouxe, você testa.

O homem da casa não diz nada.

Ele sabe que eu passo a noite
colecionando na festa
partículas de tensão.

Ele sabe que é com ele
que eu como os frutos tesos
da luxúria.

Por isso, ele sofre em silêncio.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 19h03
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Ai de Mim!

Todo dia

ele tira de mim

uma outra poesia.



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 12h00
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Particularmente

Guloso ele
invade o
sonho
escala fendas
leve e
ardilosamente.

Doida,
ela busca seu vestido mais
lindo.

Pousa
um beijo sexy no
espelho e
risca o
toucador pintando os
olhos.

Já é manhã e ela
arde
deitada
insone em seu leito de
maravilhas.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 14h38
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Chico Buarque de Holanda

Esses olhos verde-mar

vistos assim, antes do almoço

aumentam o apetite.

Se vistos na hora do almoço

aumentam o apetite.

Mas, se vistos depois do almoço,

aumentam o apetite.

Ai, esse moço!



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h22
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Desnecessário

Por sua causa eu sei de cor

a dor

eu sei que o peito dói como em doença

e que o amor é fogo que arde sem se ver

que é ferida que dói e não se sente

que é feito estar doente de uma folia

porque meu coração despedaçado

dói como um vaso de clichês.



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 13h17
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Desejo desejo desejo desejo

gasto uma bic inteira azul

pra escrever que eu desejo

porque todo azul químico deste mundo

não vale esse desejo

que eu desejo.



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 12h38
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