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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, PRAIA AZUL, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros, Sex, Drugs and Cheap Thrills
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O Fôlego dos Meninos e Outras Febres


Novo Título

E se de repente surgir um tornado
atordoado a te perseguir,
não se assuste.
Não se incomode.
É apenas o efeito desse marasmo asfixiante
que está explodindo dentro de mim
feito uma bomba H
ou um orgasmo precoce.



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h21
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São Paulo By Night

É noite
no centro sujo apertamos o passo
porque passam os temíveis cidadãos das ruas
muitos nem têm treze anos
falam gírias
cheiram pseudo-colas
fumam tocos
nos tocam.
Apertamos os olhos buscando visão mais nítida
realidade mais bela
e, não achando nada além de dureza,
apertamos as mãos umas nas outras.
É noite
e a cidade cospe das entranhas seus maltrapilhos
que mijam nos muros e nas vestes
que vomitam tang com esmalte nas escadas
e que não dormem.
Os meninos me pedem money
eu ofereceria um abrigo.
As crianças me pedem trocados
eu ofereceria meu colo.
Tão pequenos me chamam tia
eu ofereceria meu seio.
É noite
e eu dôo minhas lágrimas.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h19
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ABC da Abstinência

A vontade é minha amiga
Beija minha boca
Come a minha outra
Dorme comigo.
E se me sinto sozinha
Faz-me triplicatas
Giselas em todos os tamanhos ...
Homens nada.
Irresistíveis seres opostos
Jovens, maduros, quem se importa?
Loucos
Morenos
Nórdicos
Preto, branco, mulato
Quem se importa, contanto que sejam homens?
Rapazes fogosos, gasosos
Sem medo de mim, das minhas
Taras infantis.
Um único homem me bastaria (ah! os amores fotonovelescos...)
Vez por outra em minha cama, me pondo em
Xeque com seu corpo afoito ...
Zoologicamente falando, é preciso foder. Urgentemente.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h18
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Desejo Proibido

A minha pele na tua
cola
A minha pelve na tua
decola
A minha febre na tua
molha
A minha boca na tua
devora
A minha perna na tua
explora
A minha urgência na tua
implora
e eu quero
AGORA.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h17
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D Grillo

O beijo que você me deu
pôs mel em minha língua
pimenta nas minhas entranhas
e geléia nos meus joelhos.

A febre que eu jurei morta
está ardendo
as minhas pseudo-convicções físicas
se dizimaram

e eu que acreditava
ser a vencedora da guerra
detentora das medalhas
a fera, a super-mulher,
hoje mancho meus poemas todos
com minha lágrima mais ardida

sentindo em minha pele
em cada pêlo ao léu
a energia pulsante
do teu corpo sobre o meu.

E se for possível, ainda,
egoísta que sou, te peço:
não vai, não!

Ou me leve com você.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h17
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Poema Físico

Eu queria tanto
juntar minhas formas
nas tuas ...

Primeiro Erro: 2 corpos não ocupam o mesmo espaço
ao mesmo tempo.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h16
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Química

Minha consciência me cobra
uma resposta concreta
pr'uma proposta indiscreta
feita às pressas
tipo de urgência sem nome
feito carência de homem
e o meu corpo implora
toda sorte de suores noturnos
e febres alucinadas
no meu peito se descobre
um letreiro onde se lê:
TEMOS VAGA.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h16
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Blues da Aranha

Fogo e paixão
me exorcisam
e eu quero
a tua pele
em bronze e brasa
molhada com beijo
efervescente
eu quero ter você
de madrugada
manchado em minha boca
incandescente
não seja difícil
que eu já tenho um compromisso
urgente
e eu não posso esperar
o meu desejo a noite inteira
vem logo, vem ficar
minha aranha quer bordar
a teia
fogo
me ateia
fogo
em minha teia
em mim ateia.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h15
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Erografia

Norte
é teu ombro ensolarado
e ao Centro
estende-se o planalto
do teu peito
centroeste
apaixonado
sul sudeste
delirante
me escorre um suorvalho
rio no vale dos meus seios
insinuâncias
de ventre em popa
e a cor da tua pele
refletida dos meus pêlos.

De repente
o continente do teu corpo
desvenda-se.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h14
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Crônica

CRÔNICA

Desceu a rua com passinhos miúdos e trôpegos, feito uma japonesa bêbada. E, pela centésima vez, questionou o rumo insatisfatório da sua vida.

Dívidas. Cabelos brancos precoces. Solidão. Abstinência sexual. Tédio profissional. Maldita tensão pré-menstrual!

Pra piorar, choveu. E ela teve que ir se desviando das poças d'água e da bosta dos cachorros.
Chegou em casa esgotada. Molhada. Deprimida.

Abriu a bolsa (estava encharcada), os documentos manchados, milhares de papeizinhos sem importância, batons, óculos, desodorante.

"Onde foi que eu enfiei aquela maldita chave?" "Porque é que eu tenho tantas tralhas dentro da bolsa?"

Sentou na soleira da porta. Estava se sentindo um lixo. "O lixo! Eu me esqueci de colocar o lixo pra fora!" "Cadê a chave?"

Achou, finalmente. E entrou em casa.

Tudo que ela queria era um banho. Um longo e morno e relaxante banho.

Mas desabou sobre a cadeira, tremendo de raiva e frustração. "Homens! Indispensáveis seres opostos!" O que se pode fazer com eles? Como é que se pode viver sem eles?

Rastejou até o quarto - que zona, meu Deus! - e toca procurar calcinha-sutiã-roupão e partir para o banho salvador.

1º passo: abrir a torneira ao máximo - "Eu quero água, muita água sobre mim!"

2º passo: despir-se, molhar-se inteira, ensaboar-se, entregar-se, acariciar-se, masturbar-se ai, ai, ai, como isso é bom!

Toda mulher precisa de, pelo menos, 40 minutos de banho para recuperar a razão.



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h14
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Extração

Extração

Devemos tirar de dentro
extrair aquele beijo
que foi só um quase-beijo
uma dança tímida de línguas
a culpa foi do piercing
a culpa foi da pressa
a culpa foi da urgência
ou do gosto de café
sei lá.

Devemos tirar do peito
essa angústia
extrair os batimentos
que foi só uma arritmia
um descompasso tímido
a culpa foi da idade
a culpa foi da cidade
a culpa foi da abstinência
ou do gosto do pecado
sei lá.

Devemos tirar as roupas
essa mortalha
distrair essa emergência
que é só o que eu queria
um desejo único molhado
e parar de fingir que existem culpas
porque estamos na idade
habitamos a mesma cidade
sofremos da mesma abstinência
ousamos o sabido gosto de pecado.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h13
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Luna

LUNA

Você estava na febre
e eu
propensa às influências da Lua Cheia.

Entre palavras
você me beija
e eu permito que tudo aconteça.

Sempre ensaio uma repulsa
e sempre vence a urgência.

Sonho com o dia dos discursos convincentes
embora só recorde os gemidos
e o gosto dos teus fluídos.

Possuo as qualidades necessárias
e, no entanto,
me sinto tão indefesa
hipnotizada pelo telefone
que toca mil vezes
lembrando-me que você ainda não ligou
nenhuma vez.

Chove
e eu, de porre,
louca pra estar colada
encaixada no teu corpo moreno
peludo potente
incandescente...

(Eu escrevo
porque estou
irremediavelmente ansiosa
pra estar outra vez
sujeita ao teu prazer).


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h10
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Falando Naquilo

Confesse
e eu me desfaço
mas não se apresse
o gosto molhado
do teu beijo
não se esquece.



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h09
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Poema da Palavra

Escrevo todos os dias para um homem cego
minha palavra é aguda
de um jeito que o transpassa
e ele nem percebe a hemorragia interna que o consome.
Eu sou cruel em escrever-lhe amiúde.
Todos os dias o carteiro deposita o envelope letal
na caixa de correspondências comunitárias.
Não sei como ainda se conservam as mãos que a manuseiam...
E eu que julgava meu veneno capaz de transpor
os limites da tecnologia!

Todos os dias eu escrevo para um homem mudo
minha palavra é sufocante
de um jeito que o afoga
e ele fica impotente diante da explosão do seu próprio cérebro.
Eu sou demoníaca em escrever-lhe com tanto afinco.
Todos os dias o carteiro deposita o envelope transbordante
poentre a fresta estreita da porta dele.
Não sei como ainda não se alagaram os andares do edifício ...
E eu que julgava minha tempestuosidade capaz de demolir
qualquer dique!

Escrevo todos os dias para um homem surdo
minha palavra é aérea, indiferente
de um jeito que não interfere em seu cotidiano
e ele permanece inatingível.
Eu sou uma idiota em escrever-lhe tão frequentemente.
Todos os dias o carteiro entrega um envelope desesperado,
cheio do meu desejo e da minha angústia.
Não sei como estou viva para contar-lhes esse acaso ...
Eu eu que me julgava uma poeta indiscutível, senhora absoluta das palavras
não fui capaz de conquistar esse homem.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h08
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Mulher Prendada

Eu MANDO bem:
limpar pisos frios
polir áreas nobres
manter a decoração.

Eu FAÇO bem:
amor
coisas gostosas pra comer.

Agora,
passar NÃO!

Passar roupa, nem fudendo!



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h07
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Classificado

Em Paráfrase
A Título de Resposta
Vestígios de Duelo
Ou Inveja

Procura-se uma PALAVRA
Erótica
Não-Errática
Romântica
Que caiba aqui
no meu tesão.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h06
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Querida Dalva

Querida Querida Dalva!

(postado ao som de When Doves Cry - Prince)

Conheço essa dor.
Conheço essa sanha de "arear" o interior
até que não reste nenhum vestígio do sentimento.
O interno ficar rebrilhando.
Chorar a seco é mesmo para poucas (pessoas)
e isso de inventar palavras é muito bom!
Sinal que estamos vivas, minha cara. E querendo mais.
Ninguém quer se ver no poema
exposto feito um bife na prateleira do açougue.
E isso, como escrever, também dói.
Eu gostaria, e muito, e hoje, de ser um animal não-monogâmico.
Porque perdemos muito tempo com essas cretinices sociais
e a vida, minha amiga, é tão curta!!!
Você pode não querer ser escritora, ou poeta,
mas o fato é que você é mulher.
E mulheres gostam de externar sentimentos.
Somos o cálice. O Santo Graal.
Por isso transbordamos.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h05
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Senhora

(como diria Nel Meirelles, postado ao som de Kiss - Prince)

Quando tomo entre as mãos
seu membro duro e pulsante,
Ah!
sou tão dona de tudo!



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h04
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Nel Meirelles: en gard!

www.falapoetica.blogger.com.br

Minha veia pulsa
vira-lata
livre de raças
vagabunda
globalizada
meu sangue vaga quente
escorre pelos becos
da eternidade.
No meu peito
o letreiro diz:Agite antes de usar.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h03
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Construção

CONSTRUÇÃO

Faça-de-conta
que eu sou a outra
e põe tua língua
em minha boca
ávida
e tua mão firme
em minha carne
e me enterre
esse medo
de solidão.

Faça-de-carne
que eu sou a língua
e põe tua mão ávida
em minha
e tua boca firme
em minha outra
e a solidão
enterrada nesse medo.

Faça-de-boca
que eu sou a ávida
e põe tua carne
em meu medo
e tua solidão firme
em minha língua
e enterre a outra
posto que sou única.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h02
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Ulisses

ULISSES

Tudo o que eu tenho
o que me resta
são meus seis sentidos
e a sétima vida do gato.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h01
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Birra

Birra

Ele me acusa de infantilidade:
mentira! mentira! mentira!
e saio de cena furiosa
pisando duro
e pondo a língua pra fora.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 11h00
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Violação

Violação

Assim, cá estou eu, morta
à tua espera.

Então te apresses: desperta-me!

que o bico do meu peito inerte
ansia pelo calor da tua boca
e o meu rígido
se aquece com o peso do teu corpo.

Mas antes mesmo de tomar-me os pálidos lábios,
me veste.

A morte é longa e negra
e teu suor me serve.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h59
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Vampira

Vampira

Tudo que a minha boca fez
foi cuspir teu nome
vomitar teu gosto
rasgar tua pele
porque do visgo amargo
do teu sangue
bebi meu melhor vinho.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h59
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1964

1964

O poema da noite
é o poema do forte
porque depois do negro
vem sempre a náusea de um outro dia.

O poema da noite
é o poema do oprimido
porque depois da cela
vem sempre a liberdade invalidada.

O poema da noite
é o poema do quebranto
porque depois da magia
vem sempre a crédula medula.

E edificamos totens.

E se o poema da noite
não fosse a sina dos poetas
seria o poema dos exaltados
porque depois do poema
vem sempre a palavra vazia.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h58
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Hotel de 3ª Classe

Hotel de 3ª Classe

A noite me pertuba com seus cheiros
mix de sêmen suor cigarro
o cheiro acre dos sanitários
o cheiro azedo dos bares
o cheiro picante do trânsito
e o melhor de todos os cheiros
o cheiro inquietante do teu corpo
despido molhado
colando
calado
no lençol e no travesseiro.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h57
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Síndrome

Todos os dias eu procuro no espelho
algum sinal da minha loucura eminente
e não o percebo.

Posso notar os poros
as pústulas
os pêlos
mas não vejo as evidências da minha insanidade.

Retiro as lentes de contato
mas meus olhos ainda mentem
nada leio em mim mesma
que me condene ao confinamento.

Todos os dias eu escovo os dentes
com vigor, repetidas vezes
certa de que com a espuma
saiam os indícios do meu desequilíbrio
mas nada cuspo
senão a minha própria saliva aromatizada.

Todos os dias eu procuro nos meus gestos
algo que revele as minhas esquizofrenias
e, no entanto,
do meu gesto afoito
eu só posso precisar o desespero
o medo
a solidão.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h56
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Rodox, não. É covardia!

ERA MANHÃ
E ERA CINZA
BARATAS AFLITAS TRANSITAM
PELO ASFALTO
PARANÓICAS
ALUCINADAS.
ABRO O BUEIRO
E DESCUBRO
CARREIRAS E MAIS CARREIRAS
DE DETEFON CLASSE A.



Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h55
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Coisa de Menino

A pipa do céu despenca
o fio no galho enrosca
e fere a fruta
sangra a polpa
colhe os sucos
marca o caule
e tatua no tronco um coração:
voe para os meus braços.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h54
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Serpente-me

Serpente-me

pelo teu resto de presença
todo nenhum significado
explodem 65 esperanças
e nada acontece
calor dúbio
pela porta
pelas pernas
Antonio despe-se em mentiras
eu arranjo uma desculpa idiota
temperatura 38ºC
eu peço uma cama talvez
DESCONVERSE
URGENTEURGENTEURGENTE


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h53
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Estranhas Pernas

Estranhas Pernas

Vagar eu vou, nua,
pelos sete corredores da sua mente
e alucinar seu sonho
com meu verso mais atrevido.

Mar de mim, transbordante
azul assim como o desejo
rasga a minha pele, explode
indefinidamente em membros.

Neônias pernas me encobrem e gemem
deliciosas
em meu seio ainda sedento de você.

Então deixe-me pesquisar suas curvas
únicas estradas que conheço
ainda que vulgares sejam.

Me deixe sonhar com o pecado
orgasmo oculto em sua boca.

Vista a pele, dispa a veste.

Onde está que não me escuta?

Cubra-me com suas bobagens
estranhamente febris.

Deixe-me esquecer a métrica
que eu quero me perder em você.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h53
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Quarta-Feira de Cinzas

Quarta-Feira de Cinzas

As abelhas hoje possuem ferrão
e injetam veneno dolorido
e zumbem irritantemente sobre as flores
que murchas
fedem na sala abandonada.
Minha pele é quase nada.
Mas o poema diz tudo.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h52
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Atreva-se.

Atreva-se.

Um touro
e eu
desejo irresistível
teu corpo
e o timbre baixo
tua voz rouca
a cama é muita
a carne
e a boca
e eu
te desejo
feito louca
e suo e fervo
me enrosco
endemoniada
em tua coxa
às vezes penso:
que baixaria!
e quanto mais embaixo
a febre solta
meu deus! me deixe
tirar a tua roupa.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h50
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Errante

Errante

Eu gosto da poesia dura das cidades
coisas como céus descortinados
entre os edifícios
e sóis derramados sobre a paisagem
concreta.

E gosto também de raptos
seqüestro, morte e roubo.
esta capacidade de monstro
de transformar tudo que é acre e sórdido
e que se faz cruel
em uma força que fascina
e assassina a poesia toda
deste mundo.

(No dia que eu ficar louca,
quero ouvir um minueto.

Aquele, programado no velho telefax:
Hold Zero Minuet).


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h49
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Arranjo Psicobélico

Arranjo Psicobélico

Me droga
me draga
me traga
me irriga
e molha
e malha

me beija
me despe
me abre
explode todo desejo
não há válvula de escape que resista

RESISTA!

me ama
me larga
me toma
nos soma

na cama
somos 1
me toca
na boca
me esmaga
e rasga

(íntimas inúteis anáguas)

depois consome
e some
some
some.

O que será de mim?


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h42
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Two Fishes

Two Fishes

At the beach
don't waltk by the street
stay for me between the sky and the sea
and when the seabirds scream
don't forget this dream:

You cannot stop your control
and I must to make another show
Oh! catch me and break me
or buy my body
I'm just feeling hapiness
how any years ago!

My mind dance in your eyes
inside myself run a hot blood
just sex and sugar in the air
Ai! Nosso desejo explode!

We play the game more and more
and sleep together how in the better days.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h41
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Senhora II

Senhora II

Há séculos
que eu tô na febre tua
porre de maçãs
na carência do teu fruto
maduro
e do gosto da tua carne
com meu suco.

Suo na ilusão
da tua língua molhada
e me escorrem duzentos desejos
diferentes.

Sabe lá deus onde anda você
enquanto ardo!

Mas,
se por acaso,
no instante exato
em que confesso
o meu tesão explícito,
se porventura
por estas linhas você desabe,
não perca tempo:
já pro meu quarto!


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h29
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Ciúme

Ciúme

Há monstros rondando meu texto.
Cheiros rondando meu nexo.
E cores violentas,
você sabe.
Você sabe,
mas não faz nada.
E essa ausência de atos
é que significa tudo.
E o que finge mudos.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h28
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Bairrista

Bairrista

Acordei hoje com uma preguiça baiana
espreguicei-me lânguida e sexy feito uma carioca
e assim fui desfilando até o banho

meu sangue borbulhou notas de maracatu
e me inundou feito uma maré de Calhetas
minha pele perfumada de Pernambuco

pinto os lábios
e tipicamente paulista
tomo um café preto antes de tudo.

Saio pra rua ensolarada
feito uma índia
não vestindo nada.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h27
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A Mulher (Des)conhecida

A Mulher (Des)Conhecida

Me bebe
e eu me divirto
sorvida embriagada
na saliva açucarada da tua boca.

Me despe
e eu enfeitiço
tua serpente afoita insinuante
molhada e rija
de suor e delícia.

Me toque
e eu me transformo
brota em mim a minha outra
(aquela, dos momentos íntimos...)

Me cobre
e eu exorciso
fantasmas, pecados, condutas sociais
docemente
religiosamente ofegante.

Me come
e eu sintetizo
a carne em polpa
todos os gostos de todas as frutas.

Me fode
e eu me visto
de todas as putas que existe
em cada mulher apaixonada.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h25
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Proluc

Proluc

Por tua causa
gosto das noites com estrelas
e do inesperado
gosto do cheiro do teu pêlo
e de teu gosto
gosto que te submetas a mim
e que cometas loucuras
gosto da tua doçura e tua mentira
gosto de como me desejas
cheio de falsos pudores e carícias ilimitadas
gosto de fingir que nos amamos
incontrolavelmente
e que me mentes enquanto me ama
gosto de ser submissa
no auge da minha mente anarquista
gosto de te perdoar
e ser magnânima
gosto da tua ânsia
e que me peças
gosto que me deleito
e te detesto
te gosto tanto
que te confesso.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h24
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Pecado Capital

Pecado Capital

Eu ia mesmo te falar da luxúria
o império da carne
desejos inconfessáveis
e fantasias banais

Ia te provocar
falar sobre a ira do meu ciúme
a avareza dos teus gestos
a gula com que me tomas

sacar do espelho da vaidade
sábias e convincentes palavras

e, no entanto,
no exato momento
em que a carícia se tornou urgente
que o ritmo acelerou-se inconsciente
que não se sabe quantas pernas tem a gente
e o corpo arca e sua, contrai-se
se liquefaz tão docemente
e a preguiça se instala mansamente

é que eu sou soberba
e simplesmente fecho os olhos
e entrego a almo pro diabo.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h24
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Modo de Usar

MODO DE USAR

Abra lentamente cada botão
saboreie o obstáculo
demore-se em cada fenda
deslize pelo decote
toque suave e firmemente
explore as texturas
use os dedos
experimente a língua
mantenha-se ajoelhado.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h07
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Pomo

Pomo

Da minha garganta decepada
saem antagonismos
coisas como filhos
coisas como família
coisas como casamento
coisas que não cabem nesta era.

Da minha garganta
brota sangue aos borbotões
e sentimentos tolos.

Em compensação
estando sem cabeça
meus seios se destacam.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h07
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O Auto da Barca do Inferno

O Auto da Barca do Inferno

7 horas e o despertador toca
não música
toca a vinheta d'O Pulo do Gato
8 horas e eu pego um ônibus
lotado
e desço no mesmo ponto de sempre
morrendo de tédio
6 horas e eu pego um ônibus
lotado
e desço no mesmo ponto de sempre
morrendo de fome
10 horas e eu pego um trem
lotado
e desço na mesma estação de sempre
morrendo de sono.

Hou lá Hou
da Barca do Inferno!
Essa Loirinha aqui quer mudar de condução!


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h05
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Os Outros

Os Outros

Quando te vejo de terno
cheio de papas na língua
e frases compridas
com olhos esgazeados
suspiros
soslaios
disfarçando o suor na testa
e a prepotência encenada
que eu te vejo
perdido em discursos
elocubrando
locupletando
tergiversando
viro as costas
e assobio:
foda-se!


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h05
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O Cravo e a Rosa

O Cravo e a Rosa

Ela era virgem
e ele era homem
Ele era livre
e ela fingia ingenuidade
Ela estava aprendendo
e ele treinava paciência
Ele queria muito
e ela provocava sempre
Ela sonhava com casamento
e ele, com a primeira vez dela
Ele supunha adultérios
e ela incentivava essas pequenas traições
Ela chegou primeiro
e ele ficou apaixonado
eles vão ser felizes para sempre
e eu vou contar outras histórias.


Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h04
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Vexame

Caetano Veloso, cantando no casamento em plena novela das 8.

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 13h34
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Ano velho, casa nova. Me aguarde!

Escrito por Senhora Loirinha Má® às 10h45
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